O escritor israelense Amos Oz, ao ser perguntado a respeito do leitor ideal, no programa de televisão Roda Viva, respondeu que, para ele, o bom leitor seria aquele que não buscasse no livro o autor (ou, em outras palavras, que quisesse através do livro descobrir o escritor) e sim aquele que deparasse consigo mesmo nas páginas da história, que fosse capaz de identificar algo seu ali, reconhecer-se na obra. As palavras exatas me falham a memória, mas não o sentido geral delas, o qual gravei e vez ou outra me salta à lembrança. Agrada-me a posição ativa dessa definição de “bom leitor”, como sujeito capaz não tanto de captar informações mas de incorporar-se ao livro (e deixar , desse modo, que o livro se mescle à sua vida – transformando-a talvez?).
Já me peguei em um pequeno imbróglio filosófico, fazendo-me a seguinte pergunta, de caráter utilitarista: se é tempo demasiado perdido o que se gasta lendo, silenciosa e só enquanto um mundo de produção e movimento me espreita da janela. Depois reflito que esse “viver mais” pode não significar viver melhor e que a imaginação literária, aquilo que não existe, pode ser exatamente a mais rica fonte de vida e sentido da realidade.
Já me peguei em um pequeno imbróglio filosófico, fazendo-me a seguinte pergunta, de caráter utilitarista: se é tempo demasiado perdido o que se gasta lendo, silenciosa e só enquanto um mundo de produção e movimento me espreita da janela. Depois reflito que esse “viver mais” pode não significar viver melhor e que a imaginação literária, aquilo que não existe, pode ser exatamente a mais rica fonte de vida e sentido da realidade.