sábado, 9 de outubro de 2010

Cachiblema

- tu sabe o que aconteceu com aquele cara?
- rapaz, a mulher matou.
- por que?
- porque ele não ficava longe da arma nem pra dormir.
- mas por que a mulher matou?
- ih.. isso daí foi cachiblema viu.
- que isso cachiblema?
- cachaça, chifre e problema.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Cantantes e Amortecidas

O que acontece com as cantoras brasileiras de hoje? Tão previsíveis e padronizadas. De uma estética construída e sem graça. Daquela beleza que satisfaz os que têm medo do novo, da ruptura. Digo das atuais cantoras de samba, tão em moda, tão bem ditas. Todas iguais. Moças delicadas, com um quê de descolado. Fingindo para si mesmas (e para os tolos) que não fazem parte das mulheres fúteis só porque cantam (eu digo cantam e não interpretam) Cartola e Noel rosa. Flores na cabeça, cabelo encaracolado, vestidinho de algodão. A voz suave e polida. Despersonalizada. Muitas vezes a letra vem pretensiosa, incompatível com sua postura no palco, contida e ensaiada. Delas não se faz uma. Todas são um eco da produção. Feitas para serem agradáveis, afinadas e óbvias. Não que elas não tenham sua utilidade. São perfeitas como música de fundo em um café. Poderiam fazer parte do repertório do Starbucks por exemplo. Mas são incapazes de emocionar porque não são artistas. Falta força, energia. Basta rever uma interpretação de Elis Regina ou Cássia Eller para perceber a ausência de personalidade própria e naturalidade dessa nova geração. Para quem sente, ser bonitinha não pode vir antes do que simplesmente ser.


sábado, 11 de setembro de 2010

A Caricatura

Uma caricatura se esguelha pela rua
Se contorce no espaço a criatura
Presa no discurso do falado
Nessa ventura
Já não sabe o que se é
A não ser:
Enfado.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Tamanho da Couve

- Você vem de onde mesmo? São Paulo né?
- Sim.
- E lá, a couve é grande?
- Ah.. em casa tinha umas grandes sim...
- Olha, aqui , com quatro folhas a gente cobre uma casa.

domingo, 29 de agosto de 2010

"E o mais empolgante era que essas meninas tinham passados tão diferentes, tinham crenças diferentes. E algumas não gostavam das outras, mas a razão de estarem lá era para lerem aqueles livros. E através da leitura elas começaram a contar suas próprias histórias. A literatura faz duas coisas: tudo o que você não pode fazer na vida real, você pode fazer na ficção. E ela amplia as possibilidades e potenciais da vida. Eu não acho que se deva permanecer na literatura, seria como "Alice no País das Maravilhas". Você deve ir ao país das maravilhas da ficção, da poesia, da arte, e depois retornar ao mundo. E neste momento você vê o mundo com outros olhos."

Azar Nasifi - em entrevista para a tv cultura

sábado, 21 de agosto de 2010


"Well, what happens to those of us who can't create?
What do we do? What do I do when I'm overwhelmed with feelings about life?
How do I get them out?"

Woody Allen - Interiores

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A Revolução Acreana



"Há cem anos um brado de liberdade tomou conta dos altos rios e inaugurou a fase mais radical da Revolução Acreana.
Quando, no início do ano de 1899, os bolivianos tentaram estabelecer seu governo nas terras acreanas, os brasileiros que aqui viviam pegaram em armas e resistiram ao domínio estrangeiro. Foi assim na 1° Insurreição Acreana comandada por José Carvalho, na República do Acre proclamada por Galvez e na delirante expedição dos poetas, já nos idos de 1900.
Por todos esses anos, o sonho de liberdade dos acreanos foi alimentado por uma bandeira criada durante a República de Galvez. Suas cores, verde e amarelo, revelavam o sentimento de brasileiros abandonados por seu país nos confins da Amazônia. Mas a estrela vermelha, no alto do pavilhão revelava também a firme decisão de lutar por essas terras, ainda que fosse preciso derramar seu próprio sangue.
Por isso, quando Plácido de Castro reuniu em Xapuri um exército de seringueiros para deflagrar a fase mais sangrenta e radical da Revolução, mais uma vez foi empunhada aquela bandeira verde, amarela e rubra. A guerra voltava a tomar conta da vida nos seringais acreanos e foi preciso perder e vencer vários combates até o dia da vitória final:
Tomada de Xapuri - 06 de agosto de 1902
1° Combate da Volta da Empresa -18 de setembro de 1902
Combates do Telheiro e do Bom Destino - 23 e 24 de setembro de 1902
2° Combate da Volta da Empresa - 5 e 15 de outubro de 1902
Combate do Bahia - 11 de outubro de 1902
Combate de Santa Rosa - 18 de novembro de 1902
Combate de Costa Rica - 8 de dezembro de 1902
Combate de Porto Acre - 15 a 24 de janeiro de 1903
Sete messes de guerra e centenas de homens mortos. Mas, ao final, os brasileiros venceram e se tornaram os primeiros "acreanos" de nossa história. Desde então, nunca mais essa bandeira, nascida de uma Revolução, deixou de tremular soberana sobre rios e terras acreanas. "

Inscrição do Monumento do Centenário da Revolução Acreana - Rio Branco - 22 de setembro de 2002

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Conversa com Dona Muniz

Dona Muniz: vocês duas devem ser católicas?
Nós: não...
Dona Muniz: evangélicas?
Nós: também não.
Dona Muniz: ah! então devem entender muito dessas coisas de signos.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ausência

"Por muito tempo achei que ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamaçoes alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tediosas mulherzinhas

Coisa rara é ver uma mulher. Mas quantas mulherzinhas! Elas trabalham, se sustentam e ainda assim mulherzinhas. Não é uma mera questão de revolução da cultura. É um esforço individual. Mas são tão preguiçosas essas mulherzinhas. Preferem não pensar a ser.  E nascendo agarradas à mãe e depois ao pai, continuam sempre assim: agarradas a quem quer que seja. Toda medrosinha, toda patética. Para sempre menininha. Um modelo exemplar de renuncia e autoproibição. A mulherzinha que se enfeita de limites para cumprir seu papel de ser menos. Generosa e medíocre, ela jamais cria. Morrerá a mulherzinha sem conhecer o mundo que tanto teme?  Será um dia alguém?